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17
JAN'14
Feat. Geks
Writers Bench #9
Graffiti em Portugal não é só em Lisboa ou no Porto.
Desta vez viajámos um pouco e encontrá-mos o Geks. Quem sabe de quem estamos a falar, sabe bem a qualidade deste writer, apesar de não ter uma projecção grande, é conhecido e reconhecido por todos os writers que seguem o seu trabalho.

Aqui vamos saber os seus segredos...


Tens quantos anos de graffiti?
Comecei a interessar-me por graff em 2001, embora só me tenha tornado mais activo no final de 2005. Antes disso era demasiado puto para acompanhar o que se passava na minha cidade, por isso limitava-me a sketchar compulsivamente.

Como foi o teu primeiro contacto com o graff?  Conta-nos um pouco como começas-te até chegares aos dias de hoje.
Na altura tinha prai 10 ou 11 anos, não tinha grande noção de nada, acho que me limitei a seguir uma moda, que passado uns meses tinha passado, entretanto já me tinha apercebido que por algum motivo o graff me motivava mais do que a maioria das coisas. Entretanto comecei a conhecer pessoal mais velho relacionado com o Hiphop (na altura ainda se falava das 4 vertentes como um todo e tudo isso parecia ter muito mais significado do que hoje em dia), e particularmente na minha zona surgiu um núcleo de pessoal  que parecia voltar-se mais para graff, e motivavam os putos mais novos, ao contrário de outros sítios onde o pessoal parecia que só se interessava por banhadas e confusão. Quanto mais graff via mais me convencia que um dia também ia ser assim.

Como defines o teu estilo? 
O meu estilo acaba por ser uma mistura de várias influências, desde o wildstyle, estilos simples, throw ups, cenas futuristas, ilustração. caligrafia, bd, mocas, tudo serve, como passo a vida a sketchar acabam por se fundir e dar origem a cenas maradas. Pena que as melhores não chegam a ver a luz do dia.

Que influências tiveste no início para tua evolução, e que influências tens hoje em dia para manteres o nivel alto?
As minhas maiores influências foram o senado Klan, sobretudo o Ask 98 e o Dezor. Acho que Faro sempre teve um movimento muito próprio, muito focado no estilo, sempre tivemos bué a cultura do wildstyle, e esse pessoal pintava bombing como se fosse fame, talvez por isso sempre tenha tido esse objectivo. Na minha perspectiva, a combinação de skill com a ilegalidade é a verdadeira essência do graff, mas também houve sempre muito fame, acho que é importante para evoluir, e mesmo a mentalidade das pessoas em geral é influenciada, há 10 anos atrás havia muito menos receptividade. 
 
Qual é a tua maior motivação para pintar e não desistir como alguns já fizeram?
Tenho os meus próprios objectivos, já não penso muito na fama, nem na opinião dos outros, faço as cenas para mim e não para alimentar novelas e conversas da tanga. Tento sempre variar ao máximo as cenas que faço, prefiro ter variedade para não se tornar monótono. Acho que assim tens sempre pica para qualquer coisa.

És admirado por muitos writers nacionais. Achas importante o feedback que vem de outros writers? 
Ya, claro que gosto de ter um bom feedback, mas não gosto de hype, às vezes prefiro não estar a par de nada. Não é isso que me motiva.

Falando de graff, sabemos que és activo por todas as frentes, qual delas tens mais prazer em pintar?
É relativo, sou capaz de ficar uma semana a pintar a mesma parede, também gosto de mandar um throw em 3 min. Mas sem dúvida que prefiro trains, sobretudo se puder esticar um bocado a corda.

Onde podemos encontrar cenas tuas em Portugal?
Sobretudo Algarve, Caldas, umas cenas em Lisboa, e alguns sítios onde vou passando, curtia que fossem bem mais.

E no estrangeiro?
Nada, mas espero que isso esteja para mudar em breve. 

Algum lugar especial, cidade ou país que gostarias muito de pintar?
Aquele train roxo com setas da Suécia dá me a volta à pinha. Alemanha, Itália, Europa no geral, e todos os sítios onde for passando, espero que sejam muitos, quero é girar o mundo e ir deixando marcas.

Como vês actualmente o Graffiti nacional?
Acho que a tuga tem bons writers, há gandas crânios a controlar boas missões, há writers com qualidade, mas depois há muitos que não se destacam. O style é sub-valorizado, há bué tesão do mijo em pintar muita quantidade, o pessoal parece que tá com pressa de se expôr mesmo sem ter muito para mostrar. Se calhar faz parte, as mentalidades mudam, as influências também, mas na minha perspectiva torna-se menos atractivo, e perde a essência. Style is the key, é o que define o nosso código e é um dos aspectos que nos distingue do street art, ou dum bartolo com uma lata.
 
Quem em portugal merece o teu love pelo que tem feito pelo graffiti nacional?
 Franck, O'pedr, Autor, Seyr, Sen, DBK, Reis Crew, puto Cola, Miks, Mazar, Kiler, Alrte, Parks., muitos mais, estes são os que me ocorrem agora.
 
Alguma coisa que mudarias no graffiti nacional?
Mais amor menos merda.

Tens alguma ambição maior no graffiti? Virar uma lenda como o Exas ou um Obey por exemplo?
 Acho que não me atrevo a fazer essa comparação. 

Achas que daqui a 10 anos ainda estas cá para fazermos uma nova entrevista?
Espero que sim, ainda há muita coisa que quero fazer.
 
Alguma dica que querias deixar aos que já cá estão à muito, e ao sangue novo?
Never surrender. 
 
Props
PCM, DBK, PUTOS, ADN, GNZK, AW, PLM. Ask98, O'pedr, Autor, Ion, 4Sale, Polen, Venom, Sen, Jata, Asgar, Hern, Onk, Ames, Alrte, on and on.

Ruf One, rest in paradise. 

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