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DEZ'13
Feat. Kiler
Writers Bench #7
Quantidade não é qualidade, e nos dias de hoje é muito difícil achar um writer que junte as 2.
Por cá temos alguns writers que o conseguem, o Kiler é um deles. Constante, com bastante técnica, e um estilo de letras único, causa impacto em muitas frentes. Estivemos juntos no Writers Bench, e este foi o resultado.

Conta-nos o teu iníco no mundo do aerosol. 
O iníco foi em 1999, quando mudei para uma nova escola que despertou o meu interesse para pintar letras. Tinha umas paredes legais com uns bacanos e estava sempre a pintar, ficava fascinado pelas letras complexas e pelas combinações de cores. Aí comecei também a exprimentar fazer uns projectos nas aulas e mandar uns tags nas casas de banho, ficando completamente viciado, dediquei os primeiros 2/3 anos ao hall of fame.

Depois conheci o Ekun e os Rek, comecei a ganhar o bicho para o bombing, comecei a reparar mais nos comboios pintados, que no meu caso era na linha de cascais. Não se via muitos panels a girar quando via eram dos DS, Vyol, Sayk, Pfwz, Re e Tye.

Já tens quantos anos de actividade?
Já lá vão uns 15 anitos...

Passaste por muitas fases do graff português, foste sempre bastante visível em todas as linhas, seja na parede ou na chapa. Fala-nos um pouco sobre essas fases todas.
De 2002 para 2003 foi quando comecei a pintar comboios, tudo era diferente. Por exemplo, na linha de cascais, os trains andavam quase sempre limpos, ver um panel a girar não era muito comum. Fazer um panel era uma cena especial, com o tempo começou a haver cada vez mais pintores.

Antes era sem dúviida mais difícil de pintar regularmente comboios, os spots espigavam muito mais rápido e muitas vezes havia bofia escondida dentros dos trains. Hoje em dia toda a gente sabe tudo. Os sugas têm medo ou tão-se a cagar, todos querem ser os maiores mas são poucos os que se esforçam para ter qualidade. Além disso já não há respeito, é só interesseiros e gananciosos que passam por cima de tudo e de todos.

Falando de fases no graffiti, qual é a tua opinião?
Há muitos que vêm e desaparecem, os verdadeiros ficam...

Como defines o teu estilo, quem são as tuas influências?
O meu estilo é simples e limpo. Gosto de letras grandes e bem legíveis. Direi que as minhas influências vêm dos DS, SDK e WUFC, dos alemães, da street, de tudo o que me rodeia e do meu estado de espírito. 

Achas que por cá temos bons estilos e pessoal dedicado que faz evoluir o graffiti?
Sim temos bons estilos, mas acho que podia haver mais. O pessoal devia dedicar-se e focar-se mais na qualidade e não só na quantidade.

Achas que estamos á altura do graff lá de fora?
Sim, acho que sim. Apesar de tudo somos poucos mas bons!

Fala-nos um pouco da tua conexão com a alemanha.
Tenho uma grande conexão com o pessoal de Hamburgo, fui para lá estudar em 2004 e fiz alguns bons amigos. Foi com eles que aprendi muita coisa relacionada com o graffiti, e para a vida. Foi nessa altura também que fundámos os End crew. Verdadeiros amigos mesmo, unidos para sempre.

Tens o mesmo tipo de actividade que tens em portugal?
No período em que estive na Alemanha pintava com bastante frequência. Uma missão bem feita em Hamburgo envolve muitas vezes muito trabalho, dedicação, e tempo para preparar e controlar tudo. Quando voltei para portugal adoptei o mesmo método de preparar e planear as missões, para poder usufruir ao máximo dos spots e fazer peças com tempo e qualidade.

Algumas diferenças entre pintar na Alemanha e Portugal?
Sim pintar na Alemanha é muito diferente daqui. Principalmente em Hamburgo, há muitos spots e é tudo muito acessível, yards de metro no meio da floresta, parece um paraíso. Mas quando dá merda, dá merda a sério. Bófia por todo o lado, ciladas, rusgas em casa e até sugas escondidos nos arbustos.

Como estás a ver o Graff português hoje em dia? O que mudavas?
Vejo que o graffiti português não está a evoluir muito. É preciso mais humildade e dedicação.

Um dos pontos altos na tua vida de writer? Seja em portugal ou no estrangeiro.
Os pontos mais altos da minha vida sem dúvida foram entre 2005 e 2008. Foi quando viajei mais e pintei mais. Mas graffiti nao é tudo, tenho outras prioridades.

E pontos menos altos?
Agora estou numa fase menos activa sem dúvida, mas é só uma fase, hehe.

És reconhecido pela nova e velha escola. Achas que te dão o valor exacto pelo que já fizeste no graffiti português?
Não sei, nem me intressa. Não pinto para ser reconhecido, pinto porque gosto.

Algum objectivo ainda por concluir?
Fazer one man wholetrain a cores no c-line a skinny. hahaha.

Algumas palavras de motivação para as novas gerações?
Não queiram ser apenas "mais um", façam a diferença.

Props? 
Props para o meu crew End e Orc, Cola, Ninfa, Miks, Ice, Crux, Pozer e todos que me respeitam e apoiam.

REST IN PEACE, ZINE, END CREW 1982 - 2006.
 

 

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