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04
DEZ'13
Feat. Quê?
Writers Bench #4
As ruas da nossa cidade estão repletas de talento, muitos estilos frescos e originais, o que é algo bastante importante no panorama do graffiti em geral. No nosso pais, existem vários writers com capacidade de expansão, não só em número mas em qualidade e originalidade, capazes de trazer sempre um novo desafio para o graff.
Um deles é Quê?, trow ups, pieces, bombs, chapa, train, sub, tags, fames, tudo e mais alguma coisa, relacionada com graffiti, ele está sempre presente e da melhor maneira, quase como um simbolo da cidade.

Tivemos uma conversa com ele, e aqui está o resultado.

Já são alguns anos a comer tinta?!
Comer, saborear, cheirar, tingir pele e sujar roupa!
 
Conta-nos os teus primeiros dias, as origens e as tuas influências até aos dias de hoje.
Origens: Comecei por assinar a minha alcunha na zona onde morava, talvez associado aos cenários de graff que víamos na Trasher (revista de skate), e aos próprios sítios, onde se andava de skate, carregados de símbolos de anarquia e dicas como skate or die. Queria fazer parte dos sítios onde andava.
Influências: Desde sempre e até hoje, as RUAS e o que nelas se vê! No inicio, pelo que estava a surgir em Lisboa, os bombings de Exas, o túnel de Belém e o antigo wall of fame de Belém, com peças do Sea, Sire, Youth, Wize. Depois, os bombings do Way e Dose, actualmente Creyz e Risko, na zona de Sete Rios e Benfica, 2ª Circular. 
Mais tarde, as pessoas que passaram a pintar e desenhar comigo. Influenciávamos-nos mutuamente, como o Fire, Res, Orne mais tarde o Vulto aka Caver. 
 
Pode dizer-se por todo esse percurso que és um writer da velha guarda?
Sou da segunda geração de graffiti.
 
Como defines o teu estilo?
Estilo QUÊ?, preocupo-me mais com a linha do que com decorações, influenciado por tudo o que vi e vejo nas ruas.
 
Uma das tuas qualidades como writer é, sem dúvida, a diversidade que tens entre estilos, até mesmo entre vertentes dentro do graff (bombs,tags,pieces etc etc). Foi algo que calhou ou é mesmo importante para ti?
Não calhou, sempre foi importante para mim ter um estilo próprio. Gosto de experimentar coisas novas mas, ao mesmo tempo, manter uma linha que me identifique. Quanto às diferentes vertentes, acho que um writer deve ser completo e gravar o nome por onde passa com os meios que tem.
 
Nos dias de hoje como vês o graff português?
Existe muito bom nível, mas também existe muito mau, mais quantidade e menos qualidade e preocupação em como se apresentam com os seus próprios nomes. O resultado vê-se nas paredes e afins... Cada graff da sua cor, writers egoístas que pintam juntos, mas cada um com tamanho e fundo diferentes. Estilos sem estilo, que parecem que fazem por fazer, sem sequer serem exigentes consigo próprios.
 
Quem te influencia, como fazes para ter mais motivação, o que gostas de ver no dia a dia?
Influências já referi em cima. A motivação é olhar à volta e ver spots por todo o lado. Ver actividade na cidade de outros writers, novos e velhos e camones. No dia a dia gosto de ver bombing, tags e trowups a decorar as ruas nos sítios certos.
 
Explica-nos um pouco do feeling que tens quando pintas na street ou trains.
Bom feeling, acção, adrenalina e paz.
 
E qual a tua preferência entre ambos.
Rua. É mais inconstante e o graff dura mais tempo no geral.

O que é o Graffiti para ti? 
Uma parte importante daquilo que sou, e que faço. A minha vida não é graffiti, mas o graffiti faz parte dela.
 
Tiveste uma entrevista na revista La Charku, um especial de 10 páginas. Como te sentes ao ser reconhecido pelo mundo fora?
Não tenho muito essa noção de reconhecimento. Nada disto aconteceria se o mundo não viesse a Lisboa.
 
Tinhas o sonho de Brooklyn... Está próximo?
Não é um sonho, apenas um bom cenário. 

Que cidades mais gostavas de pintar, e das que já visitaste, qual gostaste mais de pintar?
Pinto ou risco por onde passo, não viajo a pensar em pinturas. Há muitos sítios onde quero ir, como Brasil e América do Sul em geral, África, etc. Um dos países onde me deu mais gozo riscar foi a Malásia. Tão longe, mas pelo menos duas pessoas já comentaram ter visto o meu nome. Posto isto, está a bater!
 
Com que frequência costumas pintar?
É de acordo com a disponibilidade. Às vezes passam-se três ou mais semanas sem pintar, e depois pinto três dias ou mais seguidos.
 
O que é para ti um writer completo?
Não é lei, mas um writer que taga, bomba na rua, pinta comboios, e faz murais. 
 
Sketchar é a chave da evolução no graffiti, e outras artes. Quanto tempo passas a desenhar?
Alguém disse-me que alguém lhe tinha dito que, para se ser bom em algo, é preciso praticar mais de mil horas, seja ao que for a que te estejas a dedicar. Não sei se já as fiz, ou se já ultrapassei, mas ainda tenho muita hora pela frente.
 
Sabemos que também tatuas, o que tens a dizer sobre isso?
Resumidamente exige muita dedicação, como tudo.
 
Tens o mesmo tipo de actividade como no graffiti?
Actualmente sou 85% por cento mais activo do que no graff. Trabalho é trabalho, o resto é boa vida.
 
Que ambição tens para o teu futuro no graffiti?
Actividade.
 
Ultimas palavras para os mais novos e para os que já cá andam à algum tempo...
Respeito é para quem tem. Sejam exigentes com vocês mesmos. E mantenham-se activos.

Props?
Aos meus crews, R1 GVS. A quem apoia, respeita e aprecia a verdadeira essência do graff. Aos writers Alert, Secso, Egos, Seyr, Close, Cola. E a todos os writers fulminantes que apareceram e desapareceram.

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