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09
ABR'14
Feat. Caver
Writers Bench 15

Estilo inconfudível, é assim que podemos caracterizar o nosso convidado de hoje. Já com uns bons anos de actividade, Caver contou-nos um pouco do seu passado, as influências que o fizeram chegar até aos dias de hoje, onde o seu estilo próprio e sólido que até na lua se consegue saber quem é o autor.

 
Onde surge a vontade de pintar?
Desde puto sempre tive tendência para desenhar, mas a vontade de pintar graff surgiu quando numa manhã em que fui á janela de casa e tinham bombado a casota da eletricidade mesmo em frente á minha casa, o graff dizia "Hip Hop Terrorists", fiquei horas a pensar o que seria Hip Hop.
 

Quantos anos de Graff tens?
Pinto regularmente desde 1998, é fazer as contas.
 

Quais foram os melhores anos? 
Sem dúvida que os meus melhores anos, foram os anos de escola, tinha tempo e vida para poder andar a fazer vida 100% graff. Entre 2002 e 2005 também pintei muito em quantidade.
 

Conta-nos como foi o teu início, até aos dias de hoje?
Quando comecei a pintar havia muito pouca informação, lembro-me de levar a cana da bófia a pintar uma parede, com o talgo parado a dez metros de mim, eu nem sabia que se pintavam comboios. Andávamos a pé pela linha, parávamos bué tempo a olhar para o pouco que já havia na linha, era tudo muito inocente, faziamos caminhadas gigantes só a dar tags nas tardes que não havia aulas, havia a febre de tagar atrás dos autocarros, etc etc... Sinto me um sortudo de ter vivido esses tempos, em que havia muito pouco graffiti e as cenas a meu ver eram muito mais puras, o que não quer dizer que os putos de hoje em dia não sintam a cena. A certa altura comecei a conhecer mais gente e a pintar com outro pessoal e em outros sítios. Actualmente pinto com pouca gente, quase sempre os mesmos, e mal tenho saído da minha zona.

 

Quais foram as tuas influências quando começaste a pintar?
Rak e Dif, sem dúvida eram os que mais e melhor pintavam pela linha da Azambuja. Depois um pouco mais tarde vi o filme Dirty Handz, e isso expandiu completamente a minha visão da cena! Mas não posso deixar de mencionar nomes como o Dart (Tosco) e o Toxik, que também fazem parte da minha história e da minha evolução e ainda destaco outros writers que sempre senti bué e que me influenciaram tipo o Que?, Fyre e todos os Round One, Creyz e os GVS, Alrte, Seyr etc, estes também rebentam. No geral sinto-me mais influenciado pelas pessoas mais próximas, mas há mais writers tugas que sinto bué.

 

O que é para ti graffiti e o que significa na tua vida?
Graffiti actualmente é um hobbie e que esporadicamente se transforma numa profissão. Não consigo descrever quantitativamente o quão gosto de graff. Foi algo que possivelmente mudou o rumo da minha vida, e uma coisa é certa, eu era aluno de grandes notas.

 

Tens alguma preferência no que pintas, ou varia consoante o teu estado de espirito?
Gosto de pintar tudo, e não só graffiti. No graff ultimamente não estou focado em nenhuma ramificação da cena, preocupo-me simplesmente em ir fazendo paredes, chapas, camião, train etc... o que vier é benvindo, a minha única preocupação é manter-me activo em todas as frentes, a quantidade é irrelevante, já não há tempo para querer ser o rei de tudo, desde que num ano consiga pintar o máximo de superficies possiveis, para mim está ok.

 

Como defines o teu estilo de graff?
Letras básicas, line forte, poucas cores e ás vezes com boneco janado semi satânico a pousar ao lado da peça(no geral). 

 

O que te dá mais prazer ao ver uma peça de alguém ou até mesmo uma tua?
Para mim quem consegue fazer o melhor style com as letras mais básicas para mim já ganhou.

 

Hoje em dia estas mais virado para que vertente? Bomber ou Fame?
Tudo um pouco como disse anteriormente, mas sem dúvida menos missões de alto risco.

 

Quantidade ou qualidade?
Quando as duas se fundem, respect.

 

Qual é a tua perpectiva sobre o estado actual do graffiti em portugal?
Bons writers, outros muito bons, mas no geral parece-me que ainda há pouca preocupação em ter um estilo próprio.

 

O que é para ti um Writer Completo?
É um writer que pinta sem complexos qualquer que seja a superfície.

 

Consideras-te um Writer activo?
Sim, curtia pintar todos os dias mas já não dá. Ainda assim não estou duas semanas sem pintar.

 

Viagens ao estrangeiro?
Algumas, Brasil foi sem dúvida uma boa experiência, de resto já fiz algumas cenas pela Europa, mas não muitas.

 

Que tens a dizer sobre o pessoal que só faz trabalhos e diz ser writer?
Deixa-os andar, cada um sabe de si, eu tou fixe comigo próprio.

 

Aventuras que tenhas tido a pintar q vão ficar para sempre na tua vida?
Cortar um tendão no Sub de Madrid é algo que vai ficar para sempre na minha vida, pelo menos a cicatriz não sai da minha mão. Outra assim de repente e que considero engraçada, foi ter ido pintar 1 train com o QUE?, era de madrugada e estava a nevar, fomos a pé da casa duns writers locals até ao yard, e quando acabamos de pintar e voltamos a casa, reparamos que na rua só haviam as nossas pegadas de casa até ao train, tudo o resto tava mesmo lisinho! De resto recordo umas boas fugas, que por terem corrido bem se tornaram bastante cómicas hoje em dia.

 

Até onde queres um dia chegar no graff?
A lado nenhum. Só quero ir fazendo o que me apetece, é claro que curtia ser convidado para ir pintar a todos os países do mundo sem pagar nada, mas não tracei esse objectivo.

 

Achas que estas apenas de passagem, ou vais ficar por muito mais tempo?
Acho que vou levar o graff para a cova.

 

Conselho para os mais novos e para o mais velhos?
Safem-se!

 

Últimas palavras.
Ainda é cedo.

 

Props
NCB, GVS, ROUND1 e CNJS, pessoal da linha da Azambuja, pessoal do Porto, pessoal de Lisboa, pessoal do Algarve e pessoal do estrangeiro e emigrados.


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