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FEV'14
Feat. Fynd
Writers Bench #11
Novamente no Porto, desta vez com o writer mais activo do norte do país, top 5 dos mais activos de sempre em Portugal. Dispensa grandes apresentações, Fynd é sem dúvida um dos poucos writers que está aqui para ficar e representar o graffiti na sua forma original. Não será necessário dizer que é activo em todas as vertentes, já conta com vários anos de actividade. Vamos ao que interessa.

Tens quantos anos de graff?
Tenho mais ou menos 15 anos.

Já é quase uma vida, conta-nos um pouco da tua história.
Uma vida, se é foi muito bem passada, as histórias são muitas, nem vale a pena, em 15 anos já fazia era um filme em vez de contar histórias.

Onde nasce o tag Fynd?
O meu tag Fynd, nasce de uma altura que queria mudar de tag, então pensei no tag, procura-me ou encontra-me, como gostava destas letras ficou fynd.

Quando começaste a pintar, pensaste alguma vez que serias uma fonte de inspiração para muitos writers de hoje em dia?
Claro que não, nem nunca pensei que passado tantos anos ainda ia andar a pintar, mas sim, fui e ainda consigo ser uma inspiração, todos os writers que andam ai a pintar as ruas e comboios desta cidade, vi-os aparecer ou apareceram mais ou menos ao mesmo tempo que eu, com muita pena minha a maioria também já os vi desaparecer, é normal, eles aparecem e desaparecem como o vento.

Algum dia pensaste chegar tão longe?
Longe? Ainda vou a meio do caminho, ainda tenho muito para andar e acho que nunca vou chegar ao destino, o graff não tem fim.

Fazes parte da velha escola do graff nortenho, como eram esses tempos?
Esse tempo foi muito bom para mim, era miúdo, fazia o que queria, cagava para tudo e todos sem pensar, pintei muito em toda a cidade, spots que naquela altura me diziam pintaste ali? És tolo? Agora é tudo banal, ainda bem que as coisas cresceram, porque até tinha pena de gostar de fazer graff, e não haver graff a bem dizer nenhum, nem informação do que era graff, sabes que não havia net, e muito menos revistas, e as máquinas de fotos eram de rolo.

Hoje em dia como vês o graff do norte, achas que caiu ou melhorou?
O graff tem muitas fazes, como os writers, de momento caiu muito, devido ás limpezas da câmara, e os trains já estiveram mais pintados do que de momento, mas vai sempre aparecendo alguma coisa, é só uma fase, também é preciso que limpem, e que os trains estejam mais difíceis.

És uma marca presente nas ruas, seja parede, chapas, comboios e por aí fora. 
Um verdadeiro "All city", tens uma paixão igual por todas as vertentes ou alguma em especial?
Eu gosto de tudo, paredes, comboios, depende dos dias, gosto de gastar tinta, aerosol na veia.

Qual a tua maior motivação?
A motivaçao de momento é como os meus sócios dizem, não deixas o graff por causa do cheiro da tinta, o aerosol está entranhado no sangue já.

Outras zonas do país que mais gostes de pintar também?
No Porto caralho, o porto é tudo à patrão. Lisboa também é uma grande cidade, muitos mais writers activos e milhares de spots.

Lisboa é sempre uma cidade apetecível. Toda a gente quer deixar cá a sua marca, que mais gostas de pintar?
Em Lisboa tudo é apetecível, para mim, desde paredes, a um Sintra, um Cascais, Double deck, e claro, um metro em Lisboa é à patrão, qualquer um o quer, um dos mais bonitos da Europa.

O que achas do movimento em Lisboa? Comparando à uns anos atrás e agora.
Eu não estou sempre em Lisboa, mas é como digo, é por fazes, já cheguei a Lisboa e dizer parece que estou em Bucarest, os sintras estavam todos pintados, estive em lisboa á pouco tempo por exemplo, e achei Lisboa morta, linha de Sintra limpa, graffs nas rua antigos, deve ser uma fase como no porto, também o pessoal anda sem dinheiro para latas...

Quem destacas em Lisboa?
Em Lisboa destaco os crews que sempre gostei, na minha fase louca de graff, Sktr, Gvs e Dsa.

Até onde já foste para pintar?
Na Europa já fui a vários países, mas o sitio mais longe foi New York.

Boas e más memórias que guardas dessas viagens todas?
Sempre boas, mesmo os maus momentos que já passei, passado algum tempo são vistos como boas memórias, para contar aos amigos.

Algo que te falte fazer?
Falta-me fazer tanta coisa, e vai faltar sempre ,ninguém consegue fazer tudo, à sempre mais alguma coisa para se fazer, metros, comboios, mais metros e comboios, quanto mais pintas parece que te falta fazer sempre mais algum.

Mesmo após todos estes anos a pintar sem parar, alguma vez pensaste em algum objectivo futuro? Ou apenas queres pintar e não te preocupar com nada, até que algum dia não consigas correr mais?
Objetivos tenho, mas na minha vida pessoal além do graffiti, o graffiti é um hobbi, claro que quero continuar a pintar coisas que nunca pintei ,até quando der,quando não der mais, azarito.

Como vês o graff em Portugal em geral?
O graff em Portugal têm e teve muito bons writers, quando falo de writers é pessoas que pintam na rua ilegal, como na Europa, é pena actualmente muitos estarem parados ou terem mesmo deixado o graff. Já se pintou muita coisa, e de forma mais difícil do que na Europa, o único problema cá é que os pintotes nao têm dinherio como os pintores Alemães, Suiços, Belgas, Holandeses e Ingleses, para não falar dos Australianos que fazem inter-rails na Europa de meio ano.

Palavras de motivação para novos e velhos neste movimento?
Para os novos, que pintem, não tenham medo, mas respeitem quem cá anda, não pensem que por já terem pintado 30 ou 40 comboios que já são alguém, porque nem imaginam o que já se pintou neste país, a quantidade de spots virgens... Isso foi até fim dos anos 90, já foi tudo mais que pinado, a não ser que surja algum sítio novo. Aos velhos que andam aí, grande abraço, adoro ver as peças deles aparecerem, os que já eram, que se enrolem na manta que neste momento as noites estam muito frias, só faz falta quem cá anda, ficam as recordações.

Props?
Para não me esquecer de ninguém não falo em nomes, mando para os dos meus crews Sktr e Gmb, para todos os que gostam de mim, e para os que pintam comigo quase todas as semanas, e me incentivam a ir com eles quando estou sem vontade, pessoal de Lisboa, Porto e Algarve, Aveiro, e além fronteiras, não se preocupem que o graffiti não morre, o patrão está presente de momento.

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